Isocronismo

Meu prazer é esperar a hora em que o compasso dos minutos infalivelmente resolve atacar. Das sessenta tentativas, uma delas vinga e se torna sincronicidade.

É um vício delicioso esperar por isso. 

Tão delicioso quanto uma mordida, em que posso contemplar dente e osso em uma mágica consonância. 

Tão delicioso quanto ver o ombro e toda a sua anatomia aceitando a provocação de uma mordida bem dada.

Minha mente fotografa e realiza, como num piscar de olhos. Até mesmo as fantasias, as quais já nem conto mais nos dedos, pois elas vêm e vão quando querem.

É tudo tão vivo e em evidência, ainda mais em meio às ruínas de dissabor que vendem rifas por pechinchas em troca de mais tempo pra consertar o caos. 

O caos no véu que se espatifou no chão e passou o dia inteiro experimentando o desdém dos outros. 

O caos na nata que terminou de estragar o leite azedo que foi esquecido no fundo da geladeira, sempre tão cheia de coisas melhores pra aproveitar. 

O caos na chama sorrindo tão ardente pros ponteiros do relógio, que só queria andar mais depressa pra aproveitar o calor irresistível que se lançava sobre ele.

Até que foi bonito ver como tudo veio parar exatamente aqui. 

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